domingo, 9 de abril de 2017

Aula Farmacologia da Asma

Também chamada de asma brônquica ou bronquite asmática, a asma é uma doença que causa inflamação nas vias respiratórias, o que provoca o seu estreitamento, causando dificuldade na respiração. É uma doença que atinge pessoas de qualquer sexo, idade, culturas e raças, ocorrendo principalmente em pessoas alérgicas, e que possuem histórico na família.
Esse estreitamento das vias aéreas pode ser desencadeado por vírus ou bactérias, mudanças climáticas, clima muito seco, fumaça de cigarro, pólen, ingestão de alguns alimentos, medicamentos, gripes ou resfriados, cheiros fortes, poeira, mofo, pelos de animais, dentre outros. Quando em contato com o pulmão, esses alergênicos ou microrganismos despertam a ação das plaquetas (células de defesa do organismo), que começam a liberar substâncias com o objetivo de destruir o que está causando o problema. Ao invés de resolver o problema da inflamação, essas substâncias provocam um estreitamento dos brônquios e dos bronquíolos (broncoconstrição), principalmente os que ficam mais próximos dos alvéolos.
A asma infantil é o quadro é mais preocupante, pois suas vias respiratórias tem um calibre menor do que a dos adultos, portanto qualquer inflamação pode ser mais prejudicial e impedir a passagem de ar. Por isso mesmo, a asma infantil costuma causar mais hospitalizações e visitas à emergência do que a asma em adulto.
Durante a gravidez, diversos fatores podem favorecer o agravamento da asma na gestação, como alteração hormonal, aumento do volume uterino que, consequentemente, empurra o diafragma, comprime o tórax e diminui a expansibilidade dos pulmões, além de aspectos emocionais, como ansiedade e insegurança. A gestante asmática, registre-se, é mais suscetível a contrair infecções respiratórias, especialmente pneumonias.
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Corticosteróides

Os antiinflamatórios interrompem o desenvolvimento da inflamação brônquica e têm uma ação profilática. Os corticosteróides (CS) são freqüentemente utilizados no tratamento da asma por sua potente ação antiinflamatória. Os CS sistêmicos afetam o tráfego celular, induzindo rápidas alterações no sangue periférico, aumento de neutrófilos e queda de linfócitos, monócitos, eosinófilos e basófilos. A ação antiinflamatória é devida à inativação das células endoteliais, impedindo a migração de neutrófilos, e também à inibição da migração de outras células dos vasos para os tecidos. Os CS também têm intensa ação sobre a produção de substâncias que provocam inflamação (mediadores pró-inflamatórios). Eles inibem a produção de IL-1, colagenase, elastase e ativador do plasminogênio. O CS estimulam a formação de proteínas tais como a lipocortina que inibe a fosfolipase A2, enzima essencial para o metabolismo do ácido araquidônico e seus produtos inflamatórios. Estimulam também a síntese protéica de expressão dos beta-adrenorreceptores.
A administração de corticosteróides inalados por várias semanas pode inibir as fases imediata e tardia, após o desencadeamento com alérgeno, e diminuir a hiper-responsividade brônquica à histamina e metacolina.
Por todos os motivos acima citados os CS inalatórios são um tratamento estabelecido e preconizado como droga de primeira linha no tratamento da asma; seu sucesso é baseado na sua alta potência local combinada com baixa biodisponibilidade sistêmica, permitindo a redução de outras drogas principalmente os corticosteróides orais. Essas vantagens são conseguidas com baixa incidência de efeitos indesejáveis, como candidíase oral ou disfonia. Para evitar esse efeitos adversos é recomendada a utilização de espaçadores de grande volume ou do tipo jet para reduzir a deposição oral e a higiene oral após a administração do medicamento.
Os riscos são extremamente baixos e os trabalhos consideram irrelevantes os efeitos sistêmicos detectados com o uso de altas doses de CS inalatório por curtos períodos de tempo. 

Beta-adrenérgicos agonistas

Têm seu uso descrito desde o início do século, são drogas que relaxam a musculatura das pequenas vias aéreas e inibem a liberação de mediadores dos mastócitos e basófilos, bem como melhoram o batimento mucociliar. Podem ser usados por via oral, injetável ou inalatória (Aerolin spray ®; Aero-Clenil spray ®; Berotec spray ®; Brycanil Turbuhaler ®-pó). A via preferencial de utilização é a inalatória. Os beta-agonistas são drogas de escolha na fase aguda da asma e na prevenção do broncoespasmo induzido pelo exercício. Podem ocorrer reações adversas envolvendo principalmente o sistema cardiovascular (queda do nível sérico de potássio ou estimulação direta do miocárdio). Nos últimos três anos vêm se acumulando dados na literatura associando pior controle da asma com o uso regular de beta-2 estimulantes, contudo ainda são necessários mais estudos para comprovação dessas observações.
In vitro, a teofilina inibe a fosfodiesterase, uma enzima que catalisa a quebra do AMP-cíclico. As xantinas inibem várias isoenzimas do grupo das fosfodiesterases, hoje sabemos que algumas isoenzimas tais como as III e IV são importantes no broncoespasmo e no processo inflamatório da asma, de tal sorte que a inibição dessas isoenzimas tem também um papel antiinflamatório.
A dosagem de teofilina é muito criteriosa e deve ser ajustada a cada caso, como nos pacientes cardíacos, hepatopatas, fumantes, crianças e obesos, bem como em pacientes em uso de fenobarbital, rifampicina e fenantoína. Por isso se recomenda monitorizar a concentração de teofilina sérica em pacientes que tenham indicação de uso prolongado. Quando usada em associação com doses usuais de beta-agonistas na forma inalatória, a teofilina pode provocar broncodilatação adicional.
Os efeitos adversos das xantinas incluem nervosismo, insônia, tremor, anorexia, náuseas, dor de cabeça, dispepsia, palpitações e diarréia; principalmente quando o nível sérico é maior do que 20 µg/ml.

Anticolinérgicos

A terapia anticolinérgica é a mais antiga forma de broncodilatadores para asma. Quando inalada, produz broncodilatação pela redução do tônus vagal intrínseco das vias aéreas. Bloqueia também o reflexo de broncoconstrição causado por irritantes inalados. Os anticolinérgicos perdem sua importância devido a seus efeitos colaterais como ressecamento da secreção respiratória, visão borrada e estimulação do sistema nervoso e cardíaco. Embora a atropina seja o protótipo de agente anticolinérgico, ela é usada infreqüentemente porque é facilmente absorvida no trato respiratório e digestivo e está associada a indesejáveis efeitos adversos sistêmicos. Contra-indicados em glaucomatosos e portadores de hipertrofia prostática.

Conhecer a fisiopatologia da asma e seus tratamentos faz-se extremamente importante uma vez que a doença mata cerca de 2,5 mil pessoas por ano, estima-se que existam mais de 22 milhões de asmáticos no Brasil. Anualmente, ocorrem cerca de 160 mil internações pela doença no país, sendo a quarta causa de hospitalizações no Brasil. Quando a asma ocorre na infância o quadro é mais preocupante, devido a fisiopatologia mais frágil em relação ao adulto e durante a gestação Podem-se diminuir esses números se a asma for controlada corretamente, e uma das principais medidas é o manejo correto do tratamento, conhecendo os fármacos indicados para o tratamento.

FONTES
http://guiadobebe.uol.com.br/asma-na-gravidez/

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