domingo, 9 de abril de 2017

Aula Diabetes Gestacional

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Diabetes mellitus gestacional (DMG) é a intolerância aos carboidratos diagnosticada pela primeira vez durante a gestação e que pode ou não persistir após o parto.1-3 É o problema metabólico mais comum na gestação e tem prevalência entre 3% e 25% das gestações, dependendo do grupo étnico, da população e do critério diagnóstico utilizado.4,5 Muitas vezes representa o aparecimento do diabetes mellitus tipo 2 (DM2) durante a gravidez.
O tratamento inicial do DMG consiste em orientação alimentar que permita ganho de peso adequado e controle metabólico. O cálculo do valor calórico total da dieta pode ser feito de acordo com o índice de massa corporal (IMC)19,20 e visa a permitir ganho de peso em torno de 300 g a 400 g por semana, a partir do segundo trimestre de gravidez. O valor calórico total prescrito deve ter 40% a 45% de carboidratos, 15% a 20% de proteínas e 30% a 40% de gorduras. A prática de atividade física deve fazer parte do tratamento do DMG, respeitando-se as contraindicações obstétricas.
Recomenda-se o monitoramento das glicemias capilares quatro a sete vezes por dia pré e pós-prandiais, especialmente nas gestantes que usam insulina. Se após duas semanas de dieta os níveis glicêmicos permanecerem elevados (jejum ≥ 95 mg/ d e uma hora pós-prandial ≥140 mg/d, ou duas horas pós-prandiais ≥ 120 mg/d), deve-se iniciar tratamento farmacológico. A dose inicial de insulina deve ser em torno de 0,5 U/kg, com ajustes individualizados para cada caso. Em geral, associam-se insulinas humanas de ações intermediaria e rápida. Os análogos de insulina asparte e lispro têm vantagens sobre a insulina regular, promovendo melhor controle dos níveis de glicemia pós-prandiais com menor ocorrência de hipoglicemias.
O uso de insulina glargina ainda não está oficialmente recomendado, apesar de muitos relatos, com um número pequeno de casos, evidenciarem a segurança dessa insulina na gravidez. Um número crescente de estudos não mostra efeitos deletérios do uso na gestação de metformina. Em relação a glibenclamida, os resultados são discordantes quanto à eficácia e à segurança. Entretanto, como os dois medicamentos ultrapassam a barreira placentária, e os estudos que avaliam crianças expostas a eles, a longo prazo, ainda são escassos, recomenda-se que o uso de metformina e de glibenclamida deva ser indicado apenas nos casos em que não se alcançou controle adequado da glicemia com medidas não farmacológicas nos quais o uso de insulina não é viável. Outros agentes orais são contraindicados.
Dessa forma, destaca-se a importância de conhecer a fisiopatologia que envolve a diabetes gestacional e seu tratamento tanto farmacológico e não-farmacológico. O papel do enfermeiro no tratamento da diabetes gestacional envolve o monitoramento continuo da glicemia capilar e de exames complementares, atenta-se para as prescrições do tratamento se faz essencial para um atendimento de qualidade a gestante com diabetes. Além disso, orientações e esclarecimento das principais dúvidas e questionamentos que as pacientes possam ter sobre a doença. Vislumbra-se o fato de que, a educação em saúde é um dos principais fatores para a adesão do tratamento do diabetes, o que para tanto, faz-se necessário a motivação do paciente para que o mesmo busque novos conhecimentos, que possibilite o desenvolvimento de habilidades referentes à mudança de hábitos que são necessários.
REFERÊNCIAS
CROWTHER, C.A.; HILLER, J.E.; MOSS, J.R.; MCPHEE, A.J.; JEFFRIES, W.S. ROBINSONS, J.S.; Effect of treatment of gestational diabetes mellitus on pregnancy outcomes. N Engl J Med. 2005;352: 2477-86.
LANDON, M.B.; SPONG, C.Y.; THOM, E. et al. Multicenter, randomized trial of treatment for mild gestational diabetes. N Engl J Med. 2009;361:1339-48.

HARTLING, L.; DRYDEN, D.M.; GUTHRIE, A.; MUISE, M. VANDERMEER, B. DONOVAN, L.; Benefits and Harms of Treating Gestational Diabetes Mellitus: A Systematic Review and Meta-analysis for the U.S. Preventive Services Task Force and the National Institutes of Health Office of Medica. Applications of Research. Ann Intern Med. 2013 May 28. doi: 10.7326/0003- 4819-159-2-201307160-00661.

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