TRATAMENTO FARMACOLÓGICO
O tratamento da febre com antitérmicos não deve ser instituído rotineiramente de maneira aleatória. Admite-se que na criança eutrófica, sadia, em bom estado geral , pode-se permitir temperatura corpórea de 38°C ou mais (segundo alguns autores até 39ºC) sem uso de drogas antipiréticas. Estas são reservadas para aqueles casos em que a febre causa desconforto, incomodo ao paciente, prejudicando o sono e a alimentação, erando problemas adicionais e inquietação nos pais.
Nas crianças com idade entre 6 meses e 5 anos, que apresentam suscetibilidade a convulsões (com antecedentes pessoais e/ou familiares), preconiza-se iniciar os antitérmicos já com a temperatura em ascensão, sem se aguardar o limite de 38°C ou mais, na tentativa de se prevenir a convulsão febril. Não obstante ser indicação discutível e controvertida de se prevenir a convulsão febril. Não obstante ser indicação discutível e controvertida, deve-se utilizar o antitérmico, como antes mencionado. A terapia antipirética é também muito útil para aqueles pacientes com doença cardiopulmonar cronica, doença metabólica e doença neurológica.
Quando se optar pelo tratamento farmacológico de febre deve-se eleger uma das drogas antipiréticas disponíveis: aspirina, dipirona, antiinflamatórios não hormonais (ibuprofeno), paracetamol. Parte-se do princípio que todas as drogas existentes podem provocar reações adversas, o que sugere uma avaliação cuidadosa da relação risco/benefício. A escola deve ser baseada na eficácia e a segurança do medicamento eleito.
ASPIRINA
A aspirina existe á mais de cem anos, é o mais antigo dos antitérmicos e foi, até os anos setenta, a droga mais utilizada em todo o mundo. Além de sua ação antitérmica possui também ação antiinflamatória e analgésica.
Reações adversas- São descritas reações adversas importantes como úlcera ástrica, hemorragia digestiva e perfuração, quadros de anafilaxia, asma, rinite, urticária. Todos estes eventos tem sido raramente relatados na criança. Quadros raves de intoxicação salicílica são observados com a superdosagem.
A síndrome de Reye, caracterizada por uma rave disfunção hepatocerebral, é uma entidade importante, com letalidade de aproximadamente 30%, observada em indivíduos acometidos por certas doenças virais agudas (varicela, influenza) e que recebiam aspirina.
Na atualidade, raramente, a aspirina é utilizada para o combate à febre em crianças. Com a diminuição do seu uso, praticamente não mais se observa a Síndrome de Reye.
DIPIRONA
A dipirona vem sendo bastante empregada em nosso meio, embora em muitos países seja droga preterida, e até mesmo não disponível em outros países.
Trata-se de medicamento com potente ação antitérmica e analgésica, mas destituído de ação antiinflamatória.
Reações adversas- tem sido referidas as seguintes: hipotensão, broncoespasmo, urticária, rash cutâneo, sonolência, cansaço, cefaleia, anafilaxia. A mais importante temível reação adversa é a agranulocitose, de ocorrência rara porém preocupante.
IBUPROFENO
O ibuprofeno é um antiinflamatório não hormonal que possui, além da ação antiinflamatória, ação antitérmica e analgésica. Foi liberado nos EUA para uso em crianças maiores de seis meses de idade.
Reações adversas- Alumas reações importantes como úlcera ástrica, hemorragia digestiva e perfuração tem sido relatadas, sendo e, entretanto, rara na criança. Outras reações são a inibição reversível da função plaquetária, anafilaxia, asma, necrose papilar renal levando ao quadro de nefrite analgésica, e falência renal quando a droga é utilizada em crianças com desidratação importante. Aplasia medular é outra complicação grave, porém rara.
PARACETAMOL
Na atualidade, o paracetamol é a droga mais utilizada em todo o mundo no combate à febre. Tem açao antitérmica, antiinflamatória e analgésica.
Reações adversas- O paracetamol é considerado o antitérmico mais seguro, com pouquíssimos eventos adversos como erupções cutâneas, urticária, angioedema e anafilaxia.
A hepatotoxicidade é rara e pode ocorrer geralmente associada à superdosagem. Por isso recomenda-se usar nas doses preconizadas, não excedendo os limites estipulados. Precaução deve ser tomada, não usando o paracetamol com outros produtos que também o contenham, pois pode ocorrer toxicidade por superdosagem.
Outras precauções são as seguintes: não utilizar o paracetamol em pacientes com desidratação importante, desnutrição rave, jejum prolongado e em pacientes com hepatopatias cronicas. Evitar também o uso prolongado que pode ocasionar nefrotoxicidade.
Obedecendo aos critérios e doses mencionados, o médico dispõe de um produto seguro e efetivo para o tratamento da febre.
REFERÊNCIA
SIH, T; SHINSK, A; EAVEY, R; GODINHO, R. IV Manual de Otorrinolaringologia Pediátrica da IAPO. Lis Gráfica & Editora. São Paulo-SP. 2006.
Amanda, foi realizado uma boa revisão sobre uso do arsenal antitérmico mais usual na população pedriátrica e suas respectivas reações adversas.
ResponderExcluir"...erando problemas adicionais e inquietação nos pais." corrigir a primeira palavra: "...gerando...";
"...com doença cardiopulmonar cronica, doença metabólica e doença neurológica." corrigir a palavra: "...crônica...";
"A síndrome de Reye, caracterizada por uma rave disfunção ..." corrigir a palavra: "grave"; "antiinflamatória" corrigir para: "anti-inflamatória".